Muitas pessoas encontram na atividade de 'catar lixo' uma forma de recuperar seu papel de cidadão perante à sociedade.O catador de lixo vai contra a lógica de que lixo é sobra, resto, de que aquilo que é rejeitado tem que ser jogado fora; para ele o lixo representa algo que pode ser aproveitado, consequentemente, seu meio de vida.
A sociedade capitalista em que estamos inseridos apela para um consumo rápido e descarte, mas ao mesmo tempo ela prega a nova onda da cultura do reaproveitamento e do politicamente correto. Comprar, descartar e reaproveitar agora são ações necessárias para expandir o capitalismo.O reaproveitável tornou-se um negócio rentável.
Os catadores não são pessoas totalmente excluídas da sociedade, mas também não estão incluídas, em alguns aspectos. Seu nível econômico não é apenas uma desigualdade social, mas sim um conjunto de classificações que o levam a essa posição desprestigiada, já que ele tem uma função considerada à margem da grande sociedade capitalista. O catador muitas vezes é tido como marginal e fonte de perigo, um ser moribundo que pode oferecer perigo. Insultos como esses são criações sociais que permite mostrar como tudo está posicionado hierarquicamente.
A discriminação que essas pessoas sofrem é parte causa por pela representação que o lixo tem sobre a maioria. É dito que lixo é algo que não deve ser tocado, é sujo, e para o catador é algo contrário, ele foge dessa concepção. Ele vai contra o fato social. Esse fato social que dentre outras características tem de ser coercitivo, usa dessa coerção para punir quem vai de contra aos padrões estabelecidos pela sociedade. A coerção que sofre o catador de lixo por ir de contra a esses padrões vem por meio de maus tratos e xingamentos.
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